Carbono Repetitivo

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Mais do mesmo me enfada
A repetição me enfada
A repetição me enfada
A repetição me enfada
Mais do mesmo
Sempre mais do mesmo
Os verões passam, passam-se os dias
Fica-se mais velho, o sol fica mais frio
E caminha-se? Não, nem mesmo a passo de formiga
Patinação eterna, mesma paisagem
Percam-se as esperanças
Ninguém é um floco de neve, único e especial
Somos apenas carbono ambulante, falante, mesquinho e repetitivo
Mais do mesmo, e me enfado
Tudo azul, mas azul à maneira inglesa
Há quem viva trinta anos
Há quem viva cem anos
No fim, ambos ganham o mesmo prêmio
A morte, amiga certa, destino errado
No segundo caso há de se ganhar um pouco mais de tédio
E é só
Termômetro pendurado no poste marca 30 graus
Lá fora cai a neve
Cai neve aqui dentro.
 
Via Café e Cartas.

Sobre Paolla Saraiva

"Encontrar a liberdade onde menos se espera... No fundo do tinteiro... Na ponta de uma pena" (Marquês de Sade) Ver todos os artigos de Paolla Saraiva

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