Equilibrava-se num sapato, salto alto, num tom rosa claro; menina que desejavas ser mulher. O cabelo que vivia desengrenhado, tornou-se em uma escultura, maravilhosa. Vestiu o mais belo dos vestidos; eliminou o estilo de moleca ao qual seguia. Tornou-se mulher, ou, menina mulher. A alma ressurgia do abismo; o sorriso insípido tornava-se exuberante, apaixonante. Pensava que o coração de uma mulher era mais forte, resistente, inquebrável. Pensava errado, pois perdeu seu coração tão rápido quanto pestanejava; quem pegou-o não cuidou. Maltratou, sacaneou, machucou, rasgou, deixando-o aos pedaços, dilacerado. Numa noite serena, com a lua encoberta pelas nuvens carregadas, desejou voltar à infância; alma boa e cintilante, alegre e ardente. Com o coração vermelho límpido, nas melhores das condições. Mas agora já eras mulher, encantadora, mas inquieta, amargurada. Alma perdida, obscura. Perdia-se nas lembranças da infância, desejavas voltar para tal época. Desejavas, mas sabia que isso eras tão impossível como poder arranjar azas e voar para a lua; tua eterna paixão.

Sobre Paolla Saraiva

"Encontrar a liberdade onde menos se espera... No fundo do tinteiro... Na ponta de uma pena" (Marquês de Sade) Ver todos os artigos de Paolla Saraiva

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