Foi tudo culpa da saudade despertada em virtude da sua ausência na noite passada. Minhas mãos, como de costume, estavam livres. O espaço entre meus dedos me fizera lembrar de ti, da tua mão entrelaçada a minha. Faz alguns anos que tudo isso aconteceu dentro do meu peito. Tu eras aquele menino que eu costumava chamar de meu. Nossa história quando contada entre palavras chulas parece um romance clichê. Mas, sem dúvidas, posso afirmar que foi junto a ti que aprendi a amar. Houve um menino, que ainda existe. Entre nossas risadas sugira o começo da história, o despertar de um sentimento. Lembra-se, menino? Todas aquelas tardes, as nossas tardes. Foi assim mostrando-se pra mim, verdadeiro como és que fizestes com que eu me apaixonasse por ti. Lembro-me do teu jeito preocupado perguntando-me de estava tudo bem. Lembro também dos dias de chuva e agonia que assolavam meu peito. Era teu nome que eu sussurrava entre as lágrimas, eram os teus braços que eu necessitava. Maldita era a distância, que fazia questão de manter teu afago longe da minha pele. Por muito tempo ousei mentir para mim mesma, menino. Repetia com a voz determinada que eu não iria me apaixonar por ti. Menina boba, eu era. Tantas foram as tempestades entre nossos corações que já tornou-se impossível contar todas as noites em que chorei agarrada ao travesseiro. Você sempre foi um mistério para mim, no início isso me atraia, mas com o passar do tempo me feria. Porque eu sempre fui livro aberto diante de ti. Nunca ousei esconder de ti minhas verdades. Lá no fundo havia uma esperança doída de que um dia tu pudesses deixar-me conhecer a ti completamente. Conheci em ti um menino travesso, doce, sincero. Foi por ele que um dia me apaixonei, mas hoje lhe pergunto onde tu esconderas esse pequeno menino. Devolve-me. Entre todos os nossos dias, lembro-me com certa freqüência das madrugadas ouvindo sua voz. Ainda sou capaz de sentir as borboletas em meu estômago criando vida ao escutar sua voz pronunciando belas palavras. Certa noite tu dissestes que não me abandonaria. Mas esta noite teus pés caminham em direção a porta. Por tanto tempo fui forte, e engoli tuas palavras frias entre lágrimas. A distância entre nós dois se fez forte ao tempo em que tentei lutar contra a mesma. Só hoje me dei conta, que durante este tempo todo estive lutando sozinha, em uma batalha previsível. Entende o que digo, menino? Dói em mim todas essas verdades, mas não posso mais fechar os olhos. Errei quando amei a ti com todo o meu coração, e não deixei sobrar amor para mim mesma. Vou lhe contar, meu futuro era moldado ao teu redor. Calculei meus passos para que estes pudessem me levar de encontro ao teu ninho, ao teu afago. Escrevo agora para lhe falar, que ainda, durante todas essas noites senti tua falta. Senti falta daquilo que fui ao teu lado. Mas especialmente, senti falta de quem você costumava ser. Não posso mais me submeter a este amor leviano, que deixa marcar impregnadas em meu corpo enquanto de ti pouco sei. Anda por aí, enquanto aqui, eu rezo para que Deus cuide de ti. Tu foste menino, um grande amor. Foi junto a ti que provei disso que tanto chamam de eternidade. Porque tu, menino, és eterno em meu coração. Tuas palavras foram marcadas em meu peito, com pincéis molhados em um tinta de cor eterna. Olho para trás agora com olhos de saudade. Mentirei caso ouse dizer que de ti não quero nem mais um pouquinho. Sei que sou capaz de te querer ainda por inteiro. Como eu disse, inteiro. Só não o aceito com todas essas metades. Aprendi também a voltar todo esse amor um pouquinho para mim mesma, menino. Vou andar para frente, e a ti desejo uma boa vida, bons dias e um bom coração. Ainda sento no banco do carro e ouço músicas que me fazem dizer teu nome. Mas essas são apenas pequenas marcas de um amor eterno. Aqui lhe digo Adeus, com a boca amarga, gosto que prende. Mas, para aliviar tamanha dor, lhe digo… Até mais ver, meu amor. Fique bem. Cuide-se, e cuide deste teu coração que ainda é um pouco meu. Vou cuidar de mim também, assim cuidamos de nós dois, juntos.

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Sobre Paolla Saraiva

"Encontrar a liberdade onde menos se espera... No fundo do tinteiro... Na ponta de uma pena" (Marquês de Sade) Ver todos os artigos de Paolla Saraiva

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