O Mundo é de quem não sente?

“O mundo é de quem não sente. A condição essencial para se ser um homem prático é a ausência de sensibilidade. A qualidade principal na prática da vida é aquela qualidade que conduz à acção, isto é, a vontade. Ora há duas coisas que estorvam a acção – a sensibilidade e o pensamento analítico, que não é, afinal, mais que o pensamento com sensibilidade. Toda a acção é, por sua natureza, a projecção da personalidade sobre o mundo externo, e como o mundo externo é em grande e principal parte composto por entes humanos, segue que essa projecção da personalidade é essencialmente o atravessarmo-nos no caminho alheio, o estorvar, ferir e esmagar os outros, conforme o nosso modo de agir.”
Fernando Pessoa, in ‘O Livro do Desassossego’

Será que o Mundo é de Quem não sente? Será que sentir e razão são coisas diferentes? Será que sim? Será que não?
Na minha opinião, mais concretamente, na opinião de Damásio as emoções e os sentimentos não são um obstáculo ao funcionamento da razão: estão envolvidos nos processos de decisão. A razão e a emoção são incapazes de trabalharem, funcionarem por si só, ou seja, a razão sem a emoção leva-nos para um campo de hipóteses inerentes à situação e consequentemente perder-nos-íamos nos cálculos das vantagens e desvantagens, pois estaríamos submetidos a uma análise rigorosa. Contudo se utilizarmos somente a emoção iríamos ser levados a fazer opções erradas já que estaríamos perturbados por emoções fortes. Assim sendo, é necessário, para agirmos correctamente, gerirmos as nossas emoções associando à nossa razão, com explicita Damásio, a emoção bem dirigida parece ser o sistema de apoio sem o qual o edifício da razão não pode funcionar eficazmente.
Por tudo isto, penso gerindo as minhas emoções. Não podemos dizer que para agirmos temos que nos guiar apenas pela razão, sem sentimentos, sem emoções, sem o campo do sentir, ao contrário, para tomarmos decisões, escolher caminhos, agir numa determinada direcção temos que utilizar estes dois mundos diferentes (RAZÃO-SENTIR) que no fundo se complementam.

In O Olhar da Psicologia

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Sobre Paolla Saraiva

"Encontrar a liberdade onde menos se espera... No fundo do tinteiro... Na ponta de uma pena" (Marquês de Sade) Ver todos os artigos de Paolla Saraiva

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