Afinal, quem somos nós?

O ser humano é alguém extremamente complexo, um ser muito inteligente, que pode desfrutar de inúmeras capacidades que o tornam único e inconfundível.
A nossa vida está repleta de coisas boas e más, acontecimentos que nos marcam ou pela positiva, ou pela negativa, situações mais ou menos importantes… enfim, a nossa vivência é marcada por diferentes experiências que vão tendo interpretações distintas por cada um de nós.
Ora, constantemente nos questionamos sobre a forma como funciona a nossa vida, aonde nos encontramos inseridos. Muitas vezes encaramos diversas situações que nos fazem parar para pensar: Porquê que as coisas têm de ser assim? – É o que muitas vezes perguntamos.
Aquilo que somos e o modo como nos comportamos resulta de factores sociais, genéticos, psicológicos, ambientais, psíquicos, físicos, ou seja, resulta da construção do nosso EU ao longo da vida. É desde o nascimento que o nosso processo de socialização se inicia. Vamos desenvolvendo relações precoces com os adultos, que nos fazem sentir presentes e seguros, na medida em que, nos oferecem sobrevivência e muita segurança. A partir daqui, vamos crescendo e adquirindo uma série de características que nos vão tornando mais autónomos, mais capazes de decidir sozinhos. Começamos a ter opiniões mais fundamentadas, a ter gostos, a ter a capacidade de encarar o mundo que nos rodeia com mais racionalidade. Normalmente somos influenciados nas nossas decisões e opiniões e até mesmo na nossa maneira de ser, de vestir e de nos comportarmos. O grupo de pares, grupo de amigos ou até aqueles modelos de referência que nós seleccionamos como sendo perfeitos são para nós entidades capazes de nos influenciar e fazer parte das nossas decisões e daquilo que somos.
A nossa construção pessoal não culmina na adolescência, antes continua pela fase adulta.
Com isto, aquilo que somos, o que sentimos, o modo como nos comportamos e como tomamos as nossas decisões pode ir mudando ao longo da vida. Somos seres humanos capazes de nos adaptar a diferentes situações, a situações imprevistas e adequa-las àquilo que são as nossas crenças e opiniões.

“A perda de referências, o medo do anonimato e da solidão tornaram-se, para muitos de nós, uma camisa-de-forças que nos impede de construir uma identidade para além das aparências. Porém, hoje mais do que nunca, o que pode fazer a diferença não é a fama, o sucesso ou o look, são as nossas qualidades humanas e o que soubermos fazer com elas.”In Público
Ora, cada vez mais, nos vimos envolvidos numa sociedade orientada pelo conformismo, pelo consumismo e, também pelas aparências. Como indivíduos adultos somos detentores de capacidades que nos permitem ser autónomos, racionais e verdadeiros seres humanos, pelo que, muitas vezes não é isto que se verifica. Conformamo-nos com isto ou aquilo, não sendo de capazes de argumentar e criticar, de dar as nossas próprias opiniões, ou seja, não temos opinião e sentido próprio, aceitamos passivamente aquilo que nos é transmitido sem pensar sequer. Sendo assim, aonde está o ser humano verdadeiro, aquele que atribui sentido à sua vida e se vai construindo com base nos seus ideais e na sua racionalidade? É muito importante manifestarmos as nossas crenças, as nossas opiniões e não baixarmos os braços só porque alguém tem uma ideia diferente ou não pensa como nós. Além disto, somos cada vez mais consumistas, mais interessados nas aparências e no nosso lado exterior. Para muitos, aquilo que é verdadeiramente importante é o que vestimos, o que exteriorizamos, os sítios que frequentamos, os locais que visitamos, etc. Na verdade, o essencial é a nossa psicologia, o nosso EU psicológico, as nossas qualidades e até defeitos interiores. Isso sim, é importante para uma completa e verdadeira construção da nossa identidade. A nossa identidade constrói-se, não se descobre. Este é um processo muito difícil e que cabe a nós desvendá-lo.
Nascemos originais e, ao longo do tempo, somos sujeitos a transformarmo-nos em cópias. Talvez não estamos habituados a ver-nos como seres únicos e livres e os objectivos exteriores vão-se sobrepondo aos objectivos interiores. Temos de ser capazes de nos realizar na nossa singularidade, de enfrentar os medos e simples receios, de descobrir o que para nós é verdadeiro e essencial. Só assim nos vamos tornando seres mais conscientes e responsáveis, sentindo que realmente existimos!
A nossa identidade é algo essencial na nossa vida, tornando-nos seres construídos. Saber quem somos e o que andamos a fazer no mundo faz com que nos sintamos bem connosco e com que nos aceitemos verdadeiramente com defeitos e virtudes
Por isso, é importante usufruirmos daquilo que realmente temos de único e insubstituível. Não fiquemos à espera que a situação venha ter connosco, antes vamos nós enfrentá-la, sem medo e mostrando que realmente somos seres humanos muito complexos e singulares. Só assim mostraremos o nosso verdadeiro EU, a nossa identidade!

In O Olhar da Psicologia.

Sobre Paolla Saraiva

"Encontrar a liberdade onde menos se espera... No fundo do tinteiro... Na ponta de uma pena" (Marquês de Sade) Ver todos os artigos de Paolla Saraiva

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