“Ele ousou ouvir algumas palavras doces que ela mantinha em silêncio. Ela foi além, experimentou ler o jogo de letras que ele costumava rascunhar entre a superfície de alguns papéis amassados. Ela disfarçou estar louca e tentou enganar a vontade desconsertada.
Ele insistiu na insanidade, riu do disfarce e declarou-se a ela.
Ela arriscou substituir o juízo pelo absurdo e o acompanhou até o outro lado.
Não houve pedidos de espera, nem promissões. Ouvir a farsa de velhas promessas seria tolice.
Ela jogou as normas para amanhã. Ele fingiu não ouvir os outros. E, juntos, fugiram durante uma estação do ano.
Ele a ensinou respirar as horas sem ter que pensar nas consequências. Ela apresentou a ele alguns sentimentos medidos.
Os prazos não foram subestimados e as horas desaceleraram. Seus passos se desajustaram.O desejo consumiu algumas palavras e confundiu os sentimentos novatos. Ele apaixonou-se. Ela morreu de amor.”

(Ana Carolina)

Sobre Paolla Saraiva

"Encontrar a liberdade onde menos se espera... No fundo do tinteiro... Na ponta de uma pena" (Marquês de Sade) Ver todos os artigos de Paolla Saraiva

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